"O discípulo reconhece que sua verdadeira existência transcorre no cosmos, e assim a materialidade dos corpos não é obstáculo para o vôo da sua consciência. Todavia, ele sabe também que a matéria deve ser lapidada, e por isso trabalha com os fogos superiores, fazendo com que nela possa emergir a translucidez. A redenção está baseada nessa qualidade intrínseca da matéria, qualidade que lhe permite revelar sua pureza essencial. Por isso o discípulo é chamado o que revela a Beleza. Isso ele aprendeu a fazer, pois já transpassou os primeiros véus." Amhaj

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Purificação. Etapas da formação de um discípulo. 1ª Iniciação - Parte I

À medida que conquisto zonas de sinceridade cada vez mais verticais e axiais dentro de mim, em torno do meu ser instala-se, inexoravelmente, a harmonia. Este é o trabalho, estabilizar, reencontrar, fazer nascer, tornar incandescente a sinceridade que nos liga ao centro do nosso próprio ser. As portas do ser interno só se podem abrir na proporção em que eu próprio me souber abrir ao meu ser central. Cada uma destas portas exige um exercício mais profundo de sinceridade, de independência, exige um estado mais profundo de abertura. Lá, no centro do teu ser, está um Mestre, um tesouro, as portas servem para nos proteger do impacto demasiado directo da nossa própria divindade. Como o nosso ser interno vive e é um estado muito alto de paixão, ela não pode ser vertida sobre ti sem que a qualidade do cálice receptor seja completamente enobrecida pela sinceridade.


Eu posso ter muitas dúvidas, porém, não a dúvida de que através da sinceridade eu recebo a mais alta energia que um ser pode passar a cada momento.

O que se passou nos anos 80 implicou uma autorização, da parte da hierarquia que rege este planeta, para que todo o mar de energia de fogo onde as nossas centelhas existem, começasse a aproximar-se dos níveis conscientes da humanidade. Isto implica a queda gradual de véus ou a eliminação de éteres que devem transportar para dentro da consciência cerebral o facto divino. Há vários éteres que reduzem a presença e a acção do facto divino na consciência cerebral. Isto implica um estreitamento agudo nas relações entre a consciência e a sua origem.

A partir dos anos 80 muitos desses filtros desapareceram. Os subníveis do éter começaram a ser saturados com parte da energia da sua centelha, isto implica que a pressão, a acção, o som, o piloto está muito mais próximo do seu veículo do que estava nos séculos anteriores e a acção directa ou progressivamente menor, filtrada do facto divino no centro do teu ser sobre a estrutura psicológica, está a atingir níveis agudos.

A tese final do Logos, o poema no seu estado acabado, já está em ti nas zonas nobres, as menos conhecidas do ser, aí está o equipamento capaz de traduzir em factos, em comportamento, em vibração, em dar e receber a divindade que pretende habitar o homem.

Temos etapas de purificação que conduzem a etapas de instrução, que conduzem a etapas de iniciação, que por sua vez despoletam novas etapas de purificação, que conduzem a novos níveis de instrução e te colocam às portas de novas situações de iniciação. Isto é o metabolismo a trio. Purificação consiste na gradual adaptação entre entidades. Uma entidade que contém aquilo em que tu te deverás transformar e a massa bioquímica e psicológica que está a aprender a responder a esse potencial.

Purificação e adaptação vibratória.

A Purificação consiste na expulsão gradual, psicologicamente sustentada, do que no nosso ser não pode conviver com a presença, ela acontece sem danificar a tua estrutura psicológica. Se em ambientes de aprofundamento espiritual vocês se confrontam com situações de alienação é porque alguém ali está a trabalhar a nível de ambição, está a confundir o divino com uma meta humana, e onde entra a ambição, entra a vontade de fazer mais rápido e aí começam a acontecer as alienações e as distorções.

Uma das posturas essenciais para que os processos de purificação aconteçam de forma correcta, límpida, é afastar os sentimentos de culpa, mas, principalmente, perceber que o que nos é pedido, enquanto seres que estão sob a lei da purificação, é aquiescência (uma aceitação inteligente e voluntária). Purificação significa, eu deixar completamente de ser o que eu sou hoje, em termos cósmicos, mudar, é um indivíduo desligar do nível de consciência anterior e passar definitivamente, de uma forma estável, para um novo patamar de consciência. É ser-se outra coisa!

Purificação implica esta aceitação, esta dilatação da consciência que te permite saber, experimentar, eu estar a ser trabalhado cirurgicamente por um engenheiro da evolução humana que é a minha própria consciência monádica.

Purificação implica esta transparência, limpidez, que favorece as ramificações de luz que a mônada envia aos nossos núcleos ancestrais ou a esta extraordinária capacidade humana de estar bem no mesmo ponto de consciência, com a mesma leitura da realidade. Isto é estagnação e a mônada  nos níveis superiores, contém os protocolos capazes de te fazer libertar, mas esta consciência precisa de ser colocada num ângulo que favoreça a descida da luz.

Esta aquiescência é espontânea quando nós compreendemos o que está a acontecer. E o que está a acontecer é que a alma ao encarnar, vê-se envolvida, sufocada por um habitat psicológico que não lhe pertence. O facto de tu saíres à tua mãe, não diz respeito à alma. O facto de se dizer: é um latino, é um nórdico, é um hindu, isto, para a alma, é um sarcófago, uma tumba, simultaneamente é o mais precioso dos instrumentos da alma (corpo físico).
O trabalho da alma consiste em tecer, manter e projectar cordões de luz entre os seres, desenvolver a capacidade de um ser se dar pelos outros.

Este veículo envolve a alma no momento em que encarna e ela fica revestida de camadas e camadas de verniz cultural, tradicional, comportamental que não lhe pertence, isto falando do ponto de vista puro da alma, com certeza que existem factores cármicos que determinaram que aquela alma nascesse ali e não acolá, mas em termos da realidade da alma, do eu superior, nível causal, a alma quando está encarnada auto submeteu-se à lei da limitação.

Este indivíduo centrado em si mesmo é uma bolota, é uma semente, e existem seres que vivem uma vida inteira a nível de semente, de casulo. Tudo o que somos, enquanto entidade humana, é uma semente, um casulo. A alma, nas primeiras fases da encarnação, sente-se dentro dum sarcófago, asfixiada.

A irradiação de choco do ovo humano vem da mônada e durante eras a “galinha” (mônada) esteve lá voando e contemplando níveis superiores e retroativamente aquecia a nossa estrutura psíquica e ia-a preparando para o amor, para a dádiva, para a vontade espiritual. Desde os anos 80 a “galinha” sentou-se, literalmente em cima do ovo e não larga mais. A curva fisiológica de nascimento do nosso ser, neste momento, é aguda, porque a consciência planetária precisa de colocar um certo conjunto de indivíduos em certos postos antes que “eles” liguem a rede de luz.

Esta rede de luz composta por triângulos em torno de toda a Terra, precisa de pivots, pontos de convergência e nós (a humanidade inteira) estamos a ser preparados para aquilo a que os ocultistas chamam a 1ª iniciação.

Obviamente que nem toda a humanidade pode passar por essa iniciação, mas o objectivo do Logos é colocar a maior parte dos seres humanos, de ovo por chocar, à condição de pinto que quebrou a casca e diz: “o divino está em mim”.

Tu sabes que passaste o portal da 1ª iniciação quando percebes que não és tu que vive, mas há algo que vive em ti. Quando tu observas uma vida real, autônoma  hiper lúcida, profunda, agitando-se dentro de ti e pedindo para vir ainda mais para fora.

Quando se sente a pulsação radiante desse núcleo, bem no centro do tórax, entre os pulmões, quando se sente a sua expansão e contracção, o seu acender-se e atenuar-se, vocês estão habitados, o ser psíquico já rompeu as membranas, a galinha está a fazer o seu trabalho.
A purificação é um processo essencial para que a bolota comece a reagir à química da terra.

Na formação de um discípulo temos três etapas: 1º, o discípulo tem a sua consciência submetida às forças do meio ambiente; 2º, a etapa de conflito em que a energia residente em ti reage às forças do meio ambiente, isto é o que o Novo Testamento define como “sal da terra”. Se não houver reacção ao meio ambiente, não há civilização. Na 3ª etapa o discípulo assimilou, compreendeu, perdoou, expandiu e superou as influências do meio ambiente, ele torna-se um ser pós social. Social no sentido de viver consciente dos que estão à sua volta.

A condição do aspirante é: às 5ªf dizer: “Pai, ajuda-me, resgata-me, leva-me, transforma-me” e às 6ªf começa a adaptar a coisa às suas próprias necessidades e, tudo bem, também faz parte da experiência da purificação!

Então, a purificação é um processo através do qual se vai dando uma decantação dos materiais do teu ser. Eu preciso de chegar ao mantra que contém esta consciência: “eu abandono tudo o que não foi divinamente programado para a minha vida”.

O trabalho de transmutação (isto é muito importante para este núcleo) consiste em ficar a olhar para o próximo patamar de vibração, modelando na tua consciência o ser em que te vais transformar, aspirando e transportando os sentimentos para esse estado, o tempo todo. Isto não é uma coisa para ir fazendo, isto é a condição básica do trabalho espiritual.

Eu estou a fazer o trabalho espiritual quando eu estou totalmente saturado de insatisfação em relação à minha condição existencial, um traço de satisfação e já está a entrar ali a inércia, preciso de chegar a níveis de insatisfação que coloquem a minha vida afectiva noutro patamar, eu preciso de chegar a um ponto em que eu entro numa livraria, e aquilo é um tédio, prêmios Nobel, tudo, porque aquilo é um estilo para o antigo mental, é preciso encontrar um estilo para o novo estado mental. Esta insatisfação é o teu combustível. Quando vês na televisão uma coisa que te revolta, aquilo significa combustível para a auto transformação. Tu não estás sendo submetido a estes impactos para ficar mal disposto ou revoltado. Se eu estou num processo de compaixão, eu já não me revolto, eu chequei à capacidade do perdão em nível profundo, isto é, dizer: “Pai, a tua obra não está pronta, há elos que se romperam, a tua energia não chega ao coração dos homens”, então, eu disponibilizo-me para o trabalho, eu mobilizo-me para a transformação planetária, eu priorizo a minha vida para que tu possas utilizar-me como instrumento.

O mal estar produzido pelo material de mass média ou pela observação do quotidiano está ali para activar a capacidade de entrega e de transformação interior de um ser. Esta insatisfação é essencial para que eu me mantenha dinâmico. Para que é que tu queres um curriculum sem consciência divina? Para que é que queres realização profissional sem consciência profunda? De que servem as aquisições, as experiências, as trocas sem consciência profunda? A consciência profunda cultiva-se através de uma vida de oração, alinhamento, persistência, invocando o novo patamar de consciência. Não reprimindo a voz que diz: “Tu podes fazer melhor!” e através de uma disciplina muito rigorosa em relação aos impulsos que chegam e ao que eu vou fazer no quotidiano.

Quem está a exercer pressão sobre os níveis internos do teu ser tem o poder, a autoridade, o leque de energias capaz de te transformar completamente. O que Eles nos pedem é estabilidade de campo, ou seja, confirmar, continuamente, que estamos dentro da consciência da mônada  compreender que quando alguém vem até ti, primeiro, se tu estás a fazer este trabalho corretamente  ele teve que atravessar o campo de energia do teu ser superior.

André Louro de Almeida

Continua....

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